TODA MUSICOTERAPIA PARTE DA CONDIÇÃO DE POSSIBILIDADE DA EXPERIÊNCIA MUSICAL NO MUNDO
por Priscila Bernardo Mulin
Sou musicoterapeuta, o que significa isso? Pode significar muitas coisas para diferentes pessoas, dependendo do campo em que estamos inseridos e das articulações que se faz no desenvolvimento desse ofício.
Dizer que sou musicoterapeuta quer dizer que fiz uma formação profissional e acadêmica que se propõe utilizar das experiências musicais e das relações musicais como forma de ajuda terapêutica para outras pessoas.
Como uma disciplina que emerge no campo da saúde, a Musicoterapia leva consigo seus modos de investigação e proposição, no entanto, a presença da música e de seus desdobramentos terapêuticos transcende a esse modo de explicação e vai se desenvolvendo e se transformando a cada dia.
Assim, é importante não se esquecer que toda Musicoterapia parte da condição de possibilidade da experiência musical no mundo. Isso significa dizer que o trabalho de musicoterapeuta se abre antes a partir do modo que as experiências musicais acontecem na vida, no mundo, e só depois esse se organiza a partir de estudos e lugares que permitem as práticas de experiências musicais terapêuticas se estabelecerem como uma profissão e disciplina a partir do século XX.
Podemos acompanhar como a Musicoterapia se desenvolve enquanto disciplina e profissão a partir dos modos de organização e composição (com-posição) da experiência musical no mundo ao nos colocarmos num duplo movimento investigativo:
(1) Que mundo se abre para a musicoterapia para que essa se estabeleça como uma profissão? Ou seja, caminhar pela ecologia mundana da musicoterapia, acompanhando como ela se faz tanto como uma profissão, quanto como disciplina – a parte acadêmica da história.
(2) Que mundos a musicoterapia abre? Ou seja, acompanhar que tipos de vivências e movimentos terapêuticos se dão nas experiências musicais, que tipos de relações elas propiciam e favorecem para serem consideradas modos de cuidados e tratamentos que fazem desse tipo de experiência um saber e uma profissão – a parte experiencial e fenomenológica da história.
O PRIMEIRO MOVIMENTO, a PARTE ACADÊMICA DA HISTÓRIA, diz respeito ao como a Musicoterapia se organiza como campo do conhecimento, como uma disciplina e profissão. Esse é um movimento de dimensão mundial, internacional, não é apenas uma proposição local, de uma parte específica do mundo. É um movimento que se funda a partir do reconhecimento dos gestos da experiência musical na vida humana ao longo da história da humanidade, é um reconhecimento da importância da dimensão musical na vida, e uma proposição de compreender, descrever e amplificar tais gestos que já se faziam presentes em alguma medida na história da humanidade, muito antes de a Musicoterapia se estabelecer como uma disciplina e profissão no século XX. O que a Musicoterapia como campo do conhecimento faz é descrever, organizar, categorizar, especificar, afinar, amplificar, ampliar tais gestos, inaugurando assim a Musicoterapia como profissão e disciplina.
Se perguntar qual mundo se abre para a constituição da profissão de Musicoterapia é acompanhar quais situações, contextos e momentos históricos permitiram realizar o posicionamento de um fazer terapêutico musical profissional sustentado por uma perspectiva científica, isso quer dizer, quais situações que permitem compreender a experiência musical de modo pragmático em cenários de tratamento e cuidado de saúde. Quais saberes e campos do conhecimento sustentam e permitem fundamentar tal proposição? Tais teorias e fundamentações, só se estabelecem a partir de um campo de atuação, quais campos são esses que acolhem a(s) prática(s) musicoterapêutica(s)? O quanto para se estabelecerem no mundo esses profissionais partem da experiência musical e de suas condições de possibilidade? E o quanto nesses movimentos encontram ressonâncias e possibilidades de compreender, justificar, organizar, validar tais movimentos a partir de teorizações já vigentes nos campos que esses profissionais se inserem? Ou, em que medida é necessário articular diferentes campos de saberes e disciplinas, e o quanto é preciso fundar um novo campo?
Em termos de epistemologia, ou seja, da construção do saber da Musicoterapia, ela é reconhecida como um híbrido entre arte e ciência, e como uma profissão transdisciplinar, que se constitui em diálogo com os campos das Artes, Ciências e Humanidades (Bruscia, 2016). Ela não é simplesmente a junção de artes e ciências, ela é expressão de um movimento que reconhece a presença da música como uma atividade tão ampla e diversa na vida que funda uma possibilidade de pensar modos de tratamentos e cuidados atrelados a tal dimensão.
E é de fundamental importância compreender que isso vai muito além de utilizar atividades e recursos musicais para se alcançar alguns objetivos específicos, esse movimento vai muito além, e propõe repensar a nossa existência no enlace com a dimensão musical, reconhecendo sua amplitude e imbricamento nas mais diversas situações e dimensões da vida humana. É dar à experiência musical um status de condição de possibilidade, ou seja, daquilo que torna possível a experiência vivida, aquilo que poderíamos também chamar de musicalidade, e que se encontra presente em todas as culturas, em todas as etapas da vida, em todos nós e entre nós de maneira singular e coletiva, íntima e compartilhada. A música é presença constante e indispensável na vida, e como tal merece um campo do saber que investigue sua presença a partir da experiência vivida e de como a música torna possível e melhor a vida das pessoas, esse campo é a Musicoterapia.
Não que a música não seja estudada e investigada nos mais diversos campos de saberes, ela o é, à guisa de exemplificação poderíamos citar alguns campos e suas disciplinas que se ocupam do estudo da música, tais como: a arte (música, musicologia, educação musical, história da música), a filosofia (estética), a psicologia (psicologia da música, música e comportamento, música e psicanálise), a física (acústica e psicoacústica), a educação (música e desenvolvimento, música e cognição) a sociologia (sociologia da música, etnomusicologia, música e cotidiano), a antropologia (antropologia sonora, estudos culturais), para citar apenas alguns, essa lista vai muito além, mas a musicoterapia tem suas características singulares, e uma delas é não partir do objeto música, mas das experiências e relações musicais, e como essas se tornam terapêuticas.
E aí chegamos ao SEGUNDO MOVIMENTO INVESTIGATIVO, a parte experiencial da história, que na verdade, poderíamos considerar como primeiro, ou melhor, como primário, uma vez que esse é fundante do movimento acadêmico que já é tardio à experiência. O movimento teórico, acadêmico vem depois, organizando o movimento vivido e as presenças da experiência musical no mundo, organizando-as, adaptando-as, desenvolvendo-as em contextos de tratamento e cuidado na sociedade.
Nesse duplo movimento investigativo - por um lado "acadêmico-histórico" e por outro "experiencial/fenomenológico" - separado apenas por questões didáticas, trata-se de acompanhar como a experiência musical se torna musicoterapêutica nas mais diversas situações da vida e na sociedade, seja em contextos de saúde, educacionais, organizacionais, sociais, relacionais, ou onde quer que a experiência musical possa se fazer presente para contribuir para uma vida melhor.
Deste modo, na disciplina de "Perspectivas e Abordagens Teóricas em Musicoterapia" proponho um per-curso para acompanharmos movimentos, episódios e situações que permitiram a profissão emergir, que a tornaram uma disciplina que orienta os modos da experiência musical se mostrarem e se fazerem terapêuticas na sociedade, faço tal gesto acentuando sempre o caminho da experiência, propondo um caminho que nos mantenha próximos das experiências vividas, e não de um modo de articular teorias nos afastando da experiência. As teorias são tardias às experiências, como já apontado anteriormente, elas vêm após o vivido, como um movimento reflexivo de compreensão, justificação e organização.
Assim, teorias são perspectivas que acentuam alguns pontos, dando possibilidade de compreensão mais apurada de certas dinâmicas e possiblidades que poderão ser compartilhadas e repetidas por outras pessoas, bem como dar base para novas descobertas e investigações, que se somam as que vieram antes, as desenvolvem ou as rechaçam. Algo permanece, algo se modifica, e assim vai se construindo o conhecimento de um campo de atuação, articulando saberes que se dão por experiência a um campo de conhecimento sempre em construção.
Para isso acompanhamos no per-curso da disciplina, movimentos prático-teóricos que sustentam o campo da musicoterapia em sua diversidade, uma caminhada histórica articulando interlocutores que nos permitem olhar para o desenvolvimento de modos de produzir conhecimento e teoria em musicoterapia, aqueles saberes que a sustentam como uma disciplina e profissão, busco, no entanto, conduzir um percurso que nos mantenha num contato mais próximo e íntimo com os interlocutores e teorias estudadas, partindo da hipótese – altamente verificada por mim em mais de duas décadas me dedicando a formação de musicoterapeutas – que a maioria de nós musicoterapeutas escolhemos por seguir essa profissão, porque antes, em algum momento da vida passamos ou testemunhamos experiências musicais terapêuticas, alguma(s) vivência(s) nas quais a música fez bem e transformou as nossas vidas, a maioria de nós intuía que deveria haver uma profissão de musicoterapia antes mesmo de sabermos de sua existência.
E é da provocação (pró-vocação) da história de cada estudante e de sua relação com a experiência musical que parto para articularmos teorias possíveis, afinal aqueles que propuseram as teorias que estudamos, provavelmente também passaram pela experiência de reconhecer a potência terapêutica da experiência musical, mas para que fizessem dessa experiência uma profissão precisaram fazer o movimento articulador que sustentasse suas proposições (pró-posições) de utilização e compreensão da experiência musical em um cenário de atuação. Assim, no exercício da docência, convido todos aqueles que chegam para se juntarem ao campo, para juntos produzirmos o movimento que levará adiante essa profissão no mundo e que abrirá mundos a partir dela.
ProvoCanção: Jovens e Velhos (Arnaldo Antunes e Péricles Calvancante) por Adriana Calcanhoto
É desse princípio que gosto de partir para ensinar Musicoterapia, partir da experiência vivida, convidando estudantes a adentrarem o campo sem cerimônias, se colocando junto a todos aqueles que vieram antes de nós, todos nós juntos num mesmo campo, um campo amplo, complexo e diverso, mas todos guiados em alguma medida pela experiência musical e como essa produz transformações na vida humana.
Em relação as teorias de musicoterapia, busco compartilhá-las deixando como pano de fundo um enlace articulador de nossas próprias vivências, convidando aqueles que estudam o campo da Musicoterapia a (re)conhecerem e acompanharem contextos e cenários de aparição e desenvolvimento desta profissão: queremos saber como tal autor considerou a música em terapia? E quais teorias ele usou para dialogar e fundamentar o que fazia? Qual o cenário em que atuava? Queremos acompanhar esses autores como interlocutores, como alguém que nos conta uma história ou algo e que nesse contar nos inspira, nos provoca (pró-voca) a pensar sobre os nossos próprios movimentos no mundo. Nesse (re)conhecer nos perguntamos: Essa musicoterapia se parece com a minha? No que se parece? No que difere? Que outras possibilidades de musicoterapia são possíveis para além daquelas que eu já intuía, imaginava ou conhecia?
Uma vez que a Musicoterapia nasce da interdisciplinaridade entre os campos da Música e da Saúde, ela vai se construindo nos diálogos com outras disciplinas, tais como a arte, a psicologia, a educação, a medicina, a sociologia, a antropologia, as neurociências, entre outras – a diversidade e o imbricamento da experiência musical na vida humana são tão amplos, que permitem a Musicoterapia ser estudada no enlace com as mais diversas disciplinas.
Essa diversidade de diálogos faz com que a Musicoterapia tenha muitas faces, há uma diversidade grande de proposições e modalidades de como a música se faz terapia, uma não anula a outra, pelo contrário, apenas demonstra a amplitude, relevância e importância da música na vida, e ao relacionar música e terapia - essa última passível também de muitas abordagens e compreensões - verifica-se que a Musicoterapia pode ser praticada e compreendida a partir de muitos referenciais teóricos, o que no início era interdisciplinaridade aos poucos se torna transdisciplinaridade.
As interfaces teóricas utilizadas diferem amplamente também de acordo com o público que se trabalha: bebês, crianças, adolescentes, adultos ou idosos? Com ou sem deficiências? Com ou sem patologias? Prevenção, promoção de saúde, reabilitação tratamento ou cuidado? Contexto clínico, educacional, hospitalar, organizacional, social? Atendimento em grupo ou individual? Tudo isso interfere nas formas de se pensar e se compreender a(a) prática(a) da(s) Musicoterapia(a), a cada combinação uma constelação de referenciais teóricos se faz necessária.
Dizer que a Musicoterapia se nutre de diversos tipos de teorias, não faz dela um amálgama de saberes, mas constitui uma prática transdisciplinar e ao mesmo tempo a construção de um conhecimento próprio. Há décadas, musicoterapeutas vêm descrevendo suas práticas, realizando pesquisas e construindo o seu próprio campo do saber.
Mas, considerando que toda musicoterapia parte da condição de possibilidade da experiência musical no mundo e que toda teoria já é tardia à experiência, o que busco fazer ao lecionar Musicoterapia é conduzir um percurso que encarne as perspectivas teóricas na vida cotidiana. Um movimento que não produza dicotomias e abismos entre teoria e prática, entre o vivido e o refletido.
A Musicoterapia é o campo de estudo que vai dar atenção à experiência da música, parte dela para propor sua terapia, é isso que a diferencia das demais profissões terapêuticas - reconhecer a experiência musical como terapêutica e transformá-la numa profissão, num ofício e numa ciência requer uma pragmática, requer articular a experiência musical à objetivos clínicos, validações científicas e explicações teóricas. São tais movimentos e explicações que acompanhamos no percurso da disciplina.
Nesse breve capítulo-ensaio, não seria possível descrever todo o percurso que realizamos durante a disciplina, mas escolhi uma trilha histórica que aponta para como três princípios de orientação de práticas de Musicoterapia reconhecidos nas primeiras publicações da área por Gaston (1968) - (1) o emprego do poder singular do ritmo para dotar de energia e organizar, (2) a conquista da autoestima mediante a autorrealização e (3) o estabelecimento e o reestabelecimento das relações interpessoais – e que foram descritos mais detalhadamente por Sears (1968) como três tipos de processo em Musicoterapia - (1) experiência dentro da estrutura; (2) experiência em auto-organização e (3) experiência em relacionar-se com os outros - foram gradativamente sendo desenvolvidos ao longo do tempo em três estágios de desenvolvimento de teorias de Musicoterapia conforme descrito por Aigen (2014) e organizados por Bruscia (2011/2015) como três diferentes modos de pensar em musicoterapia que são sustentados por três grandes campos do conhecimento - (1) uma musicoterapia orientada para os resultados e funcionalidade, em que a Musicoterapia é Ciência (positivista), (2) a musicoterapia orientada por experiência, em que a Musicoterapia é Arte, e (3) uma musicoterapia orientada pelo contexto, em que a Musicoterapia é Humanidades.
A PARTE ACADÊMICA DA HISTÓRIA
A musicoterapia surgiu através de uma interação interdisciplinar e casual. Nos Estados Unidos, por exemplo, músicos profissionais foram contratados com a finalidade de distrair os egressos da guerra, que sofriam problemas tanto de ordem física quanto de ordem emocional. Os resultados positivos foram percebidos imediatamente. A experiência musical provocou uma mudança no quadro clínico daquelas pessoas. A equipe de saúde logo percebeu que, para o sucesso dessa atividade, não bastava que este profissional fosse músico; era necessário que ele também fosse um terapeuta.” (CHAGAS & PEDRO 2008, p.37)
Se toda Musicoterapia parte da experiência musical é necessário entender o percurso feito por aqueles que tomaram para si a tarefa de torná-la disciplina. A Musicoterapia como disciplina e profissão tem um contexto de nascimento: o campo do tratamento e cuidado de pessoas em sofrimento acometidas por transtornos mentais, doenças e deficiências. Músicos profissionais que se tornariam musicoterapeutas, passaram a acolher e trabalhar as experiências musicais dessas pessoas em cenários de tratamento de saúde. Ao fazer tal movimento esses profissionais inauguram a possibilidade de investigar, descrever e explicar a experiência musical de modos outros que ainda não tinham sido estudados por outras disciplinas.
Assim, musicoterapeutas inauguram a sua profissão estudando e buscando descrever não a relação direta de alguém com a música de um modo geral, mas o que acontecia em uma relação musical conduzida por um terapeuta num contexto de tratamento. Para torná-la ciência, não bastava atuar, era necessário descrever o que fazia e por que fazia, as justificativas para os resultados alcançados tinham que dialogar com o cenário de atuação profissional que tal musicoterapeuta estava inserido. Considerando músicos-musicoterapeutas como profissionais atuando com o sofrimento das pessoas em um campo de saúde, foram as linhas da psicologia que serviram de base para orientação do trabalho num primeiro momento, pois no cuidado mais subjetivo das pessoas, era a psicologia que no campo da saúde estava olhando para tais sofrimentos.
Assim, o estudo não é direto de como a música ajuda, mas como a música ajuda em uma relação, uma relação terapêutica. É preciso entender o que é terapêutico nesse contexto.
Segundo Ruud (1990), os primeiros musicoterapeutas, na década de 50, consideraram que a teoria comportamental era mais adequada para explicar os efeitos da música, entre as linhas terapêuticas psicológicas, essa era a que mais se aproximava dos modos de estudo da medicina, pela sua abordagem científica positivista.
Isso, no entanto, não significava fundar uma musicoterapia comportamental. William Sears (1968), uns dos primeiros teóricos do campo da musicoterapia, publicou um trabalho intitulado “Processos em Musicoterapia”, defendendo a necessidade de mostrar como a música ajuda a partir de uma perspectiva fenomenológica, a partir da experiência musical, buscando um modo de descrever os resultados alcançados sem que fosse preciso se filiar a qualquer escola terapêutica. Buscava um jeito de explicar como a música ajudava na Musicoterapia, como a experiência musical se fazia terapêutica no processo de musicoterapêutico. A noção de comportamento então é considerada por ele na medida em que o comportamento musical é aquele que pode ser observado e descrito, mas isso difere de direcionar uma orientação de base comportamental à prática do musicoterapeuta, sua intenção era de que a Musicoterapia tivesse linguagem e objetivos próprios, não estando submetida a nenhuma outra escola terapêutica. SEARS (1968) descreve três modos como a música ajuda em terapia:
(1) Experiência dentro da estrutura;(2) Experiência na Auto-organização;(3) Experiência na relação com o outro.
Esses três tipos de processos descritos por SEARS (1968) vão reaparecer no desenvolvimento da disciplina da Musicoterapia em diversos outros autores. BRUSCIA (2011, 2015), por exemplo, conduziu uma conferência intitulada “Maneiras de Orientar o Pensamento Musicoterapêutico”, nessa conferência retomando as leituras de Willians Sears, ele considera que a Musicoterapia é:
(1) Ciência quando é orientada para os resultados e funcionalidade,(2) Arte quando é orientada para a experiência,(3) Humanidades quando orientada pelo contexto.
Apesar de cada uma dessas orientações de trabalho: funcionalidade/resultado, experiência ou contexto ser melhor explicada a partir de um dos campos do estudo, Ciências Positivistas, Artes e Humanidades respectivamente, BRUSCIA (2011/2015) discute a possibilidade de musicoterapeutas não se restringirem a um só campo, mas de utilizarem um pensamento integral, lançando mão das diferentes orientações de acordo com a necessidade da pessoa que é atendida.
Nesse sentido Bruscia, retoma o gesto de Sears de não submeter a Musicoterapia a nenhuma escola de terapia, mas de fundar uma disciplina que se orienta a partir da própria experiência musical. Para o BRUSCIA (2015):
“A musicoterapia representa coisas diferentes para pessoas diferentes por uma miríade de razões. Muitas das diferenças podem ser atribuídas à natureza elusiva da musicoterapia. Alguns musicoterapeutas até pensam que ela é indefinível! De fato, ela é muito difícil de definir, e vários aspectos contribuem para isso. Como UM CORPO DE CONHECIMENTO E PRÁTICA, ELA É UM HÍBRIDO DE DUAS ÁREAS, MÚSICA E TERAPIA, que se relacionam com muitas outras disciplinas; como um CAMPO TRANSDISCIPLINAR, ELA É A UM SÓ TEMPO ARTE, CIÊNCIA E HUMANIDADE; como uma fusão entre música e terapia, ambos os quais têm fronteiras obscuras, é muito difícil de definir; como uma modalidade de tratamento, é incrivelmente variada em sua aplicação, em suas metas, método e orientação teórica; como um esforço de nível mundial, é influenciada pelas diferenças entre as culturas; como DISCIPLINA E PROFISSÃO, tem uma identidade dupla; e como um campo relativamente novo, ainda está em desenvolvimento.”
Em relação ao desenvolvimento das teorias de Musicoterapia, o musicoterapeuta e filósofo Ken Aigen, no livro “The Study of Music Therapy: Current Issues and Concepts” (2014), apresenta um panorama de como se desenvolveu a disciplina da Musicoterapia, para ele a moderna disciplina de Musicoterapia passou por três estágios de desenvolvimento, sendo que em cada um deles a relação entre teoria e prática foi diferente.
No Primeiro Estágio situado entre os anos de 1945 e 1964, Aigen considera que predominavam teorias importadas da psicologia clínica, inicialmente da Psicanálise e, em seguida, a Teoria da Aprendizagem Comportamental, para o autor havia uma fraca conexão entre a teoria e a prática e quase não houve a elaboração de constructos próprios da Musicoterapia, embora ele reconheça que alguns deles tenham sido revolucionários, como o Princípio de ISO, desenvolvido por Ira Altshuler no final dos anos 1940, no entanto, o mais comum era os musicoterapeutas utilizarem constructos teórico já desenvolvidos pela psicanálise e teoria comportamental, adaptando a esses estratégias musicais. RUUD (1990) explica que seguindo os princípios da psicanálise, a música tinha função catártica ou de regressão à estágios anteriores do desenvolvimento, enquanto, na perspectiva comportamental a música era usada para modificar comportamentos inadequados e reforçar os adequados.
No Segundo Estágio, que compreende o período de 1965 até 1981, Aigen considera que houve a sistematização dos primeiros modelos totalmente desenvolvidos de Musicoterapia, incluindo práticas clínicas, métodos de treinamento e uma estrutura conceitual de apoio, havendo uma forte conexão entre a teoria e a prática, é nesse período que surgem as primeiras teorias próprias da Musicoterapia, cada uma delas desenvolvida a partir da prática e de um modo específico de se utilizar as experiências musicais, tais como improvisação musical livre ou referencial, escuta musical imagística, recriação . As teorias que orientavam uma visão de ser humano a partir de linhas da psicologia ainda foram adotadas, mas essas agora não ditavam mais a prática como no estágio anterior, ao contrário, o diálogo com elas, auxiliavam a desenvolver ainda mais um trabalho orientado pela experiência musical. Foram utilizadas especialmente as perspectivas psicanalítica, humanista-existencial, e transpessoal. Compreende-se aqui quatro dos cinco modelos clínicos internacionais de musicoterapia que foram chancelados pela Federação Mundial de Musicoterapia em 1999, são eles:
- Musicoterapia Criativa ou Abordagem Nordoff-Robbins
- Modelo Benenzon de Musicoterapia,
- Musicoterapia Analítica de Mary Priestley
- Método Bonny de Imagens Guiadas e Música (GIM).
No Terceiro Estágio, que se inicia em 1982 e segue até os dias atuais há uma abertura para teorias para além do campo médico e da psicologia, com destaque especial para o campo das Humanidades, em diálogos com disciplinas como Sociologia, Antropologia, Filosofia, Estudos Culturais, Estética, Musicologia entre outros, o que dará origem a práticas de musicoterapia para além das quatro paredes do setting terapêutico, tais como a Musicoterapia Comunitária, Social e diversas práticas ecológicas orientadas ao contexto. Treze perspectivas teóricas são listadas por AIGEN:
- (1) Field of Play/ Artéria Mítica (Kenny);
- (2) Musicoterapia Biomédica (Taylor);
- (3) Musicoterapia Neurológica (Thaut);
- (4) Musicoterapia Centrada na Cultura (Stige);
- (5) Musicoterapia Estética (Lee);
- (6) Musicoterapia Comunitária (Pavlicevic & Ansdell);
- (7) Musicoterapia baseada na Complexidade (Crowe),
- (8) Musicoterapia Musicocentrada (Aigen),
- (9) Musicoterapia baseada em Analogia (Smeijsters);
- (10) Musicoterapia Dialógica (Garred);
- (11) Musicoterapia Feminista (Hadley);
- (12) Musicoterapia orientada por Recursos (Rolvsjord)
- (13) Musicoterapia orientada pelas Humanidades (Ruud)
Cada uma delas considera a visão terapêutica da música e de ser humano em diálogo com as Ciências Sociais, disciplinas de Artes e Ciências Biológicas, e com exceção do Modelo de Musicoterapia Neurológica desenvolvido por Michael Thaut, que se apoia em achados científicos para orientar sua prática, todos os outros modos de pensar sobre Musicoterapia que emergiram neste estágio seguiram uma ética de desenvolver uma teoria que explicasse a prática mais do que uma teoria que a dita.
Aigen propõe utilizarmos a nomenclatura “orientações e perspectivas teóricas” ao invés de “modelos”, pois trata-se de teorias gerais de base ampla relevantes para vários modelos e formas genéricas de prática. Desta forma, neste estágio faz mais sentido falar em perspectivas e orientações teóricas do que em modelos. Por orientações compreende-se tendências de pensamento que representam perspectivas a partir das quais uma variedade de práticas existentes podem ser consideradas ou novas práticas podem ser desenvolvidas. Elas oferecem um modo de experimentar, descrever e explicar o valor das práticas existentes em musicoterapia, compreendendo valores, conceitos e fundamentos filosóficos abertos, e por isso não podem ser descritos meramente como teorias, embora contenham construções teóricas; além disso elas não contém intervenções, procedimentos e objetivos específicos e por isso o termo modelos como utilizado no estágio anterior não seria apropriado . As orientações teóricas listadas nesse estágio podem ser divididas em três categorias de acordo com a sua função:
(1) orientações teóricas que explicam as práticas existentes,(2) orientações teóricas que fornecem bases para novas práticas, e(3) orientações teóricas que fornecem fundamentos para novos modelos clínicos.
Os Três Estágios de Desenvolvimento das teorias de Musicoterapia propostos por Aigen (2014) podem ser sobrepostos aos Três Tipos de Processos Musicoterapêuticos descritos por Sears (1968) e articulados aos Três Principais Campos de Estudos apontados por Bruscia (2011/2015). Podemos observar que os três princípios da musicoterapia foram sendo desenvolvidos gradativamente, e que cada estágio contou predominantemente com ajuda de um campo de estudo para o seu desenvolvimento. Os campos, no entanto, não são substituídos no estágio seguinte, mas se somam criando uma base mais abrangente para Musicoterapia.
No primeiro estágio, o campo de investigação e fundamentação predominante é o da Ciência (Positivista) dando origem, por exemplo, a Musicoterapia Comportamental. Esse pensamento com objetivos mais funcionais e direcionados, orientados ao resultado e relações de causa-efeito, se valendo na maior parte das vezes de experiências ancoradas em estruturas musicais, no entanto, contribuirá para outras teorias que virão mais tarde, como é o caso da Musicoterapia Neurológica e Biomédica, que em termos de cronologia pertenceram ao terceiro estágio descrito por Aigen.
No segundo estágio, cada autor se valeu da exploração de um modo de utilizar a música terapeuticamente, explorando tal modo e desenvolvendo-o. Música como terapia representa muito mais esse momento, do que o estágio anterior com a utilização predominante da Música em Terapia. As escolas terapêuticas da psicologia foram utilizadas para explicar os modos que a música era utilizada como terapia, e não mais para ditar o que deveria ser feito em termos de intervenções musicais. Nesse sentido a Musicoterapia é uma Arte como apontou Bruscia, e a orientação do trabalho é a exploração da experiência musical em uma relação terapêutica.
No terceiro estágio, há uma abertura para o campo das Humanidades, neste estágio musicoterapeutas passam a considerar teorias não apenas a partir dos modelos clínicos. Começa a haver uma crítica ao modelo médico, e há uma introdução de outros modos de compreender e explicar a experiência musical, além de outros cenários da atuação e de modos de se compreender a saúde não apenas a partir de uma visão internalista e individual, mas passa a se considerar a relação com o ambiente ao redor para o adoecimento, bem como para o tratamento e para promoção de saúde.
AIGEN (2014) considera que este estágio se inicia no ano de 1982 com a publicação do primeiro trabalho de Carolyn Kenny, “A Artéria Mítica”, em que a autora conduz uma pesquisa qualitativa, alinhavando conhecimentos da antropologia, artes e terapia, ela comparou como fenômenos que ocorriam em rituais de povos originários ocorriam também no processo de terapia, usou para isso um gesto específico, a metáfora de "morte e renascimento" que acontecia tantos nos rituais musicais dos povos originários quanto em processos de Musicoterapia. Mais tarde ela esmiuçou os entremeios do processo musicoterapêutico, buscando formular uma teoria geral da musicoterapia que não se baseava em diagnósticos, nem teorias prévias, mas que era descrita a partir do que acontecia entre terapeuta e cliente(s) no processo de Musicoterapia, essa teoria geral da Musicoterapia foi nomeada por ela de “The Field of Play”. Kenny foi uma importante teórica no campo da musicoterapia e discutiu que deveríamos sempre nos perguntar: por que fazemos o que fazemos? Ela sustentou que se a teoria servia para pensar a prática, a filosofia deveria servir para pensar a teoria, e que sendo a musicoterapia tanto Arte, quanto Ciência e Humanidades, musicoterapeutas devem conduzir suas práticas tanto por princípios éticos, estéticos, culturais e pessoais.
O aspecto cultural é chave desse terceiro estágio, e a discussão desses autores ampliará inclusive o que estamos chamando de disciplina de Musicoterapia, se para BRUSCIA (2015) a disciplina de Musicoterapia é aquela que se dirige a atuação do musicoterapeuta, a discussão de STIGE (2002) de uma Musicoterapia orientada pela Cultura, alargará os horizontes desta, propondo que tudo aquilo que envolve música e saúde faz parte do interesse do campo de estudos da Musicoterapia. A disciplina da Musicoterapia passa então a não ser apenas direcionada à prática profissional musicoterapêutica, mas também compreendida como aquela que estuda os usos da música e saúde nos mais diversos cenários. A noção de Health Musicking proposta por Stige é amplamente adotada por outros autores da Musicoterapia .
A Musicoterapia quando mediada pelas perspectivas das Humanidades, passa a compreender saúde não apenas a partir do campo da medicina e do cenário clínico sustentado pela psicologia, como aponta RUUD, os problemas não são apenas de ordem médica, mas também culturais e sociais, e nesse sentido é preciso se valer também de uma perspectiva antropológica e cultural sobre música e saúde, e nesse sentido a Musicoterapia passa a ser entendida como "parte de um movimento cultural, e não apenas como uma profissão de tratamento" (Ruud, 1998). Ele explica:
(...) isso não significa apenas direcionar a musicoterapia para as necessidades individuais dos clientes, tentando capacitar suas habilidades de desenvolvimento para aumentar seu senso pessoal de agência. Isso também significava que, como as "possibilidades de ação" eram muitas vezes prejudicadas pelas barreiras estruturais mais amplas na sociedade, senti a necessidade de estabelecer a musicoterapia como algo que pudesse atender às necessidades sociológicas e culturais mais amplas dos clientes. Isso significava que os terapeutas podiam ver a si mesmos também como trabalhadores culturais, adotando valores e abordagens da musicoterapia na comunidade. [...] Meus principais conceitos foram extraídos do uso da música como uma ferramenta para incentivar a participação, a rede, a abertura de portas e empoderamento através de uma forte identidade musical.”
Ruud ainda propõe que deste modo o objetivo principal da Musicoterapia seria “aumentar as possibilidades de ação”, e que mais do que uma fundamentação para o campo da Musicoterapia, a ênfase sobre o relacionamento entre saúde e qualidade de vida é um importante conceito filosófico e único, uma contribuição das arte-terapias à nossa visão de mundo sobre saúde e tratamento, e que, como musicoterapeutas, devemos começar a propagar esta nova forma de pensamento. (RUUD apud BRUSCIA, 2015)
Em seu último livro, "Em Direção a uma Sociologia da Musicoterapia", RUUD (2020) articula o pensamento sociológico para discutir as fronteiras entre a disciplina da Musicoterapia e outros profissionais ou pessoas leigas que se utilizam de recursos musicais, ele procura fazer uma sociologia da musicoterapia como profissão ao refletir sobre quem é o profissional musicoterapeuta e como ele se abre ou se fecha para se proteger como tal. Ele enfatiza que musicoterapeutas trabalham com saúde pública e não só com problemas médicos ou patologias específicas, além de propor um interessante conceito de que nomeou de imunogênico cultural, que de maneira resumida seriam ações musicais (musicking) protetoras e produtoras de saúde. O livro se desdobra por vários capítulos demonstrando como a música pode ser um Imunogênico Cultural, mas Ruud alerta que não se trata de uma nova proposta de abordagem terapêutica clínica, mas uma nova compreensão da Musicoterapia, pois os problemas não são apenas médicos, mas sociais também.
RUUD (2020) ainda discute que as experiências musicais terapêuticas não são exclusividade dos musicoterapeutas, até porque os modos terapêuticos da música já se faziam presentes nas vivências musicais cotidianas, muito antes da Musicoterapia requisitá-los para transformar esses modos de ser da experiência musical em uma aplicabilidade, e de fazer desses usos uma profissão. Para ele, o que musicoterapeutas fazem é desenvolver um modo aprofundado, especializado e singular de utilizar a experiência musical, modo esse pouco investigado e praticado por outros profissionais que utilizam a música como recurso, assim em sua prática profissional, musicoterapeutas contam com habilidades e competências específicas de sua formação, que não são compartilhadas com outros profissionais que utilizam a música como recurso, a para além de sua prática este é capaz de dialogar, participar, colaborar e orientar outras práticas, outros campos de estudo e outros profissionais que fazem uso da música.
ANSDELL (2015) ainda vai além da separação do que seria parte do campo da Musicoterapia ou não, indicando que os modos que a música ajuda na Musicoterapia não são tão diferentes dos modos que a música ajuda no cotidiano, ele então apresenta uma proposta investigativa que nomeou de “EcoFenomenologia do Musicking”, mostrando que os modos que a música ajuda no cotidiano não são tão diferentes dos modos que ela ajuda na terapia, há uma continuidade entre os dois, e como um companheiro musical o que o musicoterapeuta faz é facilitar essa ajuda para pessoas que não podem alcançar sozinhas a ajuda da música. Mas aqui, a noção de intersubjetividade é amplamente considerada, a ajuda sempre vem em uma ecologia, que envolve pessoas, lugares, coisas e situações. E nesse sentido nenhuma ajuda da música é um efeito da música que geraria uma influência sobre a pessoa, trata-se de relação e participação, seja no cotidiano ou na Musicoterapia.
Pensar desse modo é considerar o lugar fundamental da experiência musical na existência em geral, devolvendo-a para o campo da vida, isso significa compreender a Musicoterapia não apenas como uma profissão ou uma ciência, mas como um campo de constante investigação da experiência musical na vida, que por sua vez gera um saber para a própria área da Musicoterapia, mas também informa sobre a experiência musical na vida humana e na sociedade.
Para uma visão mais abrangente da diversidade de possibilidades de orientações teóricas de um campo que segue (e sempre seguirá) em constantes transformações, rascunhei um quadro esquemático entrelaçando as categorias propostas pelos interlocutores citados nesse ensaio que teve como fio condutor mostrar como a Musicoterapia ao partir da experiência musical (dos mundos que esta abre) foi encontrando possibilidades no mundo de se fazer disciplina e quais campos de estudo permitiram aos musicoterapeutas fundamentarem suas práticas.
INSERIR QUADRO
REFERÊNCIAS
CHAGAS, Marly & PEDRO, Rosa. Musicoterapia: Desafios entre a modernidade e contemporaneidade. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008.
AIGEN, Kenneth. The study of music therapy: current issues and concepts. New York: Routledge, 2014.
ANSDELL, Gary. How Music Helps in Music Therapy and Everyday Life. New York: Routledge, 2014.
BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.3ed. Barcelona Publishers, 2016.
BRUSCIA, Kenneth E. (2011). Ways of Thinking in Music Therapy [The William W. Sears Distinguished Lecture Series, American Music Therapy Association 13th Annual Conference, Atlanta, Georgia]. Podcast retrieved from www.musictherapy.org:[https://amtapro.musictherapy.org/ken-bruscia-amtas-2011-sears-distinguished-lecture-series-speaker/].
BRUSCIA, Kenneth. Modelos de Improvisación em Musicoterapia. Vitória-Gasteiz: Agruoarte, 1999.
BONDE, Lars Ole (2011) Health Musicing – Music Therapy or Music and Health – A model, empirical example and personal reflections. In: Music and Arts in Action| Volume 3| issue 2 ISSN: 1754-7105 http://musicandartsinaction.net/index.php/maia/article/view/healthmusicingmodel
COSTA, Clarice. O Despertar para o Outro – Musicoterapia. Rio de Janeiro, 1999.
GASTON, Thayer E. (ed). Music in Therapy. New York: Macmilan, 1968.
KENNY, Carolyn. Music & Life in The Field of Play: An Anthology. Barcelona Publishers, 2006.
KENNY, C. (2014). The Field of Play: An Ecology of Being in Music Therapy. Voices: A World Forum for Music Therapy, 14(1). https://doi.org/10.15845/voices.v14i1.737
MULIN, Priscila Bernardo. INVESTIGANDO A EXPERIÊNCIA MUSICAL. Dissertação (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2015.
RUUD, Even. Toward a Sociology of Music Therapy: Musicking as a Cultural Immunogen. Barcelona Publishers, 2020.
RUUD, Even. Music Therapy: Improvisation, Comunication, and Culture. Barcelona Publishers, 1998.
RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros,1990.
SEARS, Willians. Process in Music Therapy. In: GASTON, Thayer E. (ed). Music in Therapy. New York: Macmilan, 1968.
STIGE, Brynjulf. Culture-Centered Music Therapy. Barcelona Publishers, 2002.
WIGRAM, T; PEDERSEN, I; OLE BONDE, L. A Comprehensive Guide to Music Therapy. London: Jessica Kingsley Publishers, 2002.
ZIMBALDO, A. (org) Musicoterapia: Perspectivas Teóricas 1ª ed. Buenos Aires: Paidós, 2015.
)%201.png)