No sábado, dia 07 de março de 2026, teve início a "Inter-Vem-São" Musicoterapêutica em ProvoCanções Existenciais. O encontro foi tão gostoso que, pra variar, esqueci de tirar um print da tela com os participantes para postar. Deixo aqui algum registro e um convite para quem ainda queira se inscrever.
O encontro se desdobrou com a apresentação da "Ecologia das Ideias" ("Inter-Vem-São") e dos "Modos de Navegação" (ProvoCanções), especialmente a "EmbarCanção". Discutimos como a canção aparece constantemente na prática clínica, mas ainda de modo muito tímido na literatura acadêmica, quando comparada a outros modos de experiência musical.
Abordamos também a história da Musicoterapia, os modos de organização das teorias da disciplina e os desafios de se falar e escrever sobre a experiência musical. Isso ocorre tanto pelo seu caráter inefável e pré‑reflexivo quanto pelos modos de investigação e fundamentações teóricas disponíveis para lidar com um tema tão complexo e diverso.
É preciso articular diversos campos e modos de compreensão (Ciência, Artes e Humanidades) para sustentar e fundamentar uma Musicoterapia ética, diversa e aberta, afinal, a Musicoterapia não se define pelo uso da música como um recurso; ela é algo bem mais amplo. Trata‑se de um movimento internacional que reconhece a dimensão musical como algo tão importante na vida humana que requer a criação de uma disciplina e de uma profissão, tal como tem sido feito ao redor do mundo desde a primeira metade do século XX.
Discutimos também a articulação, nem sempre tão fluida, entre prática clínica, pesquisa, mercado de trabalho e publicização do campo, bem como a importância de habitar esse “entre” e entender as possibilidades de atuação. Consideramos tanto as estradas já mais consolidadas quanto aquelas menos trilhadas e também as que ainda serão viabilizadas.
As proposições e trajetórias de diversos interlocutores foram chamadas à nossa roda para nos pró‑vocar. Com‑versamos com Dona Ivone Lara, Luiz Tatit, Clarice Moura Costa, Carolyn Kenny, Ken Aigen, Brynjulf Stige, entre outros.
Das ProvoCanções Existenciais, “Força da Imaginação”, de Caetano Veloso e Dona Ivone Lara, foi articulada diversas vezes, especialmente através do gesto do sambista que, ao compor um samba, funda outra cidade. Nossos interlocutores foram aparecendo para nos mostrar quais “cidades” a força de suas ideias fundaram e que hoje podemos habitar e trilhar.
“O Meio”, de Luiz Tatit, foi a canção escutada e com‑versada pelo grupo, fazendo‑nos refletir sobre inícios, meios, nascimentos, rompimentos, movimentos e afins.
No dia 21 de março seguiremos tecendo, desenhando e percorrendo Mapa(s) de Escuta(s) Musicoterapêutica(s), Cancionais e Existenciais, para compreender como articulamos cuidados musicais no cotidiano, na clínica e na existência.
Para quem quiser saber mais o que aconteceu no grupo, compartilho aqui alguns materiais produzidos a partir da IA do Notebook LM com base no registro dos encontros, tenho achado divertido abordar os materiais a partir dessa ferramenta, com alguma revisão e dando um desconto a um "pequenos exageros" temos acesso a um modo de organizar o material bem interessante.